Devido ao episódio que culminou na morte de um homem que invadiu, possivelmente drogado, a casa de um policial militar em Campina Grande, a *imprensa, sem demora, buscou todos os meios de ouvir a versão da cúpula da Polícia Militar da Paraíba. E não poderia ser diferente. É de interesse da sociedade que fatos como este sejam devidamente esclarecidos.
O comandante-geral da PM, coronel Euller Chaves [centro], foi extremamente sensato em suas palavras. Disse, com a serenidade que o caracteriza, que tudo será devidamente apurado. “Se for comprovado o abuso, os culpados serão devidamente punidos”, sintetizou.
O comandante do Policiamento Regional, coronel Wolgrand [à esquerda], também mostrou equilíbrio, literalmente falando, pois não ‘pendeu’ nem para um lado nem para outro. Não culpou nem defendeu. Não condenou nem eximiu.
O comandante do 2º BPM, tenente-coronel Souza Neto – que acumula elogios da imprensa campinense por ser “oficial de rua” –, sabe o que é trabalho de rua. Conhece os problemas enfrentados pelos policiais, mas nem por isso bateu o martelo absolvendo seus comandados envolvidos na ocorrência. Tampouco apontou motivos para condená-los.
O comando que a *imprensa quer
Veja como eram, há alguns anos, as declarações de comandantes (a maioria deles) em situações parecidas: “Isso é um absurdo, a Polícia Militar não comunga com essa barbaridade, e essa não é a orientação do nosso governador. Eu já determinei o recolhimento dos policiais envolvidos e eles podem ser expulsos da corporação”. Pronto. Primeira capa garantida no jornal do dia seguinte.
A pauta que a *imprensa não quer
Quando um policial é assassinado em pleno serviço ou em razão da profissão, a *imprensa faz sua cobertura feijão-com-arroz, para não dar muito na cara. Mas não procura, sem demora, os meios possíveis e impossíveis para que o caso seja devidamente esclarecido.
O prezado leitor sabe o nome do bandido que matou o cabo Souza [por exemplo] em janeiro de 2012? É óbvio que não. A interrogação nunca foi capa nos jornais.
*A quem couber a carapuça.