Na tarde desse domingo (5), um policial militar teve sua casa invadida por um homem transtornado (ou ‘drogado’?), com o nariz sangrando (por quê?) e gritando “eu quero droga!”, “eu quero droga!” A esposa do policial, que estava em casa com o filho de 1 ano e 7 meses no braço entrou em desespero. O policial, que estava ARMADO, preferiu não atirar no descontrolado.
A confusão gerou uma discussão (imaginária) entre Certo e Errado – um radialista da cidade e o policial que teve sua casa invadida. Confira abaixo o confronto de argumentos.
Certo: como foi isso?
Errado: eu estava na minha casa, com minha esposa e filhos, e um homem louco invadiu a residência transtornado, com o nariz sangrando e dizendo que queria drogas. Eu tentei empurrá-lo para fora, mas ele é maior do que eu e, aparentemente drogado, tinha mais força. Presenciando toda a confusão, minha esposa desmaiou e meu filho [1 ano e 7 meses] ficou completamente vulnerável naquela situação.
Certo: Mas por que você não aplicou uma ‘chave’ nele? Policiais não praticam artes marciais?
Errado: [risos...] “Artes marciais”? De que horas? Nos nossos dias de folga, nós policiais só temos duas alternativas: sacrificarmo-nos no serviço extra (ou no ‘bico’) ou estudar para sair dessa profissão. O que a sociedade ‘me paga’ é muito pouco para a segurança que ela exige. Aliás, graças ao salário que eu recebo, sou forçado a morar em frente a um beco invariavelmente movimentado por ações da droga.
Certo: Você está mudando de assunto.
Errado: Não, estou não. Você ainda acha que nós temos aulas de artes marciais nos batalhões em horário de trabalho? Você acha que nós temos essa regalia? Quem está querendo dar uma viajada no assunto é você.
Certo: Tudo bem. E o que aconteceu depois?
Errado: Um amigo meu, que também é policial, passou na hora da confusão e veio me ajudar, assim como fizeram dois vizinhos da rua [que não são policiais].
Certo: E quatro pessoas não conseguiram segurar o homem?
Errado: Não. Você já tentou dominar um homem aparentemente drogado, sob efeito de possível mistura de medicamentos, álcool e crack?
Certo: Não.
Errado: Então não tem a mínima noção do que estamos falando.
Certo: Mas aí chegaram policiais em viaturas, dominaram o homem, levaram o rapaz para o hospital e lá ele já chegou morto.
Errado: O ‘rapaz’, como você diz, entrou no xadrez da viatura vivo. E policiais não andam em xadrez de viatura, andam nos bancos do carro. Ele estava sozinho e vivo no xadrez.
Certo: Mas pode ter morrido em decorrência da ação dos policiais enquanto dominavam o rapaz em sua casa.
Errado: Assim como pode ter morrido de overdose, parada cardíaca ou outras causas exaustivamente disseminadas pela imprensa acerca do uso de drogas. Sua equipe de ‘jornalismo’ procurou saber por que ‘o rapaz’ chegou com o nariz sangrando na minha casa?
Certo: Não.
Errado: Por quê? Não faz diferença na ‘pauta’?
Errado: ...
Errado: A esposa dele disse que ele foi espancado.
Certo: Ela também disse que eu mesmo mandei chamá-la para tentar conter seu marido, e ela apenas me enviou um bilhete se recusando?
Certo: Ela alegou que estava com seu filho e não queria que ele visse a cena.
Errado: Ela não tem vizinhos? Amigos? Parentes? Ninguém que pudesse ficar com seu filho por alguns minutos? O MEU filho foi obrigado a presenciar toda a cena...
Certo: Você acha que a ação policial foi correta?
Errado: Isso só poderá ser dito após a conclusão de todas as perícias. Mas infelizmente, você – que nem é perito nem nunca sequer tentou segurar um homem drogado – já usou seu microfone para dizer que “a polícia matou um homem”.
Certo: Você não lamenta a morte dele?
Errado: Sim, claro. Nós não queríamos a morte dele. Nós estávamos todos armados com nossas pistolas. Se eu quisesse, poderia ter atirado nele no primeiro instante, pois era um homem transtornado, maior do que eu, invadindo minha casa, pedindo por drogas e, quem sabe, poderia fazer algum mal à minha esposa e ao meu filho, que foi OBRIGADO a presenciar a cena. Seria legítima defesa na certa. Mas preferimos não atirar nele. E esse mísero ‘detalhe’ também não foi identificado por sua “competente equipe de jornalismo”.
*História baseada em fatos reais, numa cidade brasileira que precisa – urgentemente – investir em segurança pública e nas faculdades de jornalismo.